You are currently viewing Ato no Maracanãzinho será o maior teste de resiliência de Bolsonaro – 24/07/2022


* Cesar Calejon

O Partido Liberal (PL) realiza hoje (24) a sua convenção para as eleições de 2022 e o ato, que acontece no Rio de Janeiro, no Maracanãzinho, para muito além de marcar o lançamento oficial da candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição, traz dois aspectos fulcrais para as ambições bolsonaristas: (1) oferece o maior teste de resiliência da vida política de Bolsonaro e (2) deve determinar o tom a ser adotado durante o momento decisivo da campanha eleitoral.

Enfraquecido por uma série de pesquisas que o colocam atrás de Lula na corrida pela Presidência da República, Bolsonaro chega ao momento derradeiro de lançamento da sua candidatura pressionado pelos seus estrategistas a adotar um discurso menos inflamado, no sentido de enfatizar as recentes medidas eleitoreiras que o governo conseguiu avançar junto ao Congresso Nacional.

A tarefa do atual presidente, contudo, não é simples. Dado o seu temperamento, a sua nítida falta de elementos e incapacidade de articulação, há o receio legítimo, por parte do bolsonarismo, de que o presidente seja incapaz de se adaptar às circunstâncias atuais, optando por seguir a fórmula que o conduziu à chefia do Executivo quatro anos atrás: valendo-se de um populismo banal e extremamente agressivo.

Apesar da vitória em 2018, o momento sociopolítico brasileiro é hoje radicalmente diferente. Naquela ocasião, o antipetismo, as dimensões do elitismo histórico-cultural, o dogma religioso, a sensação de antissistema e as novas ferramentas e estratégias de comunicação, tais como os grupos de WhatsApp, por exemplo, estavam alinhados de forma específica a garantir a vitória do bolsonarismo nas urnas.

Atualmente, diversos elementos que formaram essa equação — principalmente considerando o antipetismo, a sensação de antissistema e novas ferramentas e estratégias de comunicação — arrefeceram. Os outros dois pontos centrais que ainda sustentam o edifício bolsonarista, ou seja, o elitismo histórico-cultural e o dogma religioso, apresentam contradições irremediáveis ao bolsonarismo.

Por um lado, eles garantem a adesão de cerca de 30% do eleitorado, que se identifica com os legados históricos e culturais (racismo, misoginia, homofobia, aporofobia etc.) do Brasil e o dogma religioso.

Por outro, eles compelem Bolsonaro a agir, reiteradamente, seguindo esses valores a fim de manter essa parcela da população fiel ao seu projeto de morte e destruição, o que, efetivamente, impede uma abordagem resiliente por parte do presidente da República no sentido de dançar conforme a música toca em 2022.

Resta saber qual Bolsonaro deverá se apresentar na convenção de hoje do PL e como essa postura determinará os rumos da campanha que pretende o reeleger ao comando do Brasil.

* Cesar Calejon é jornalista, com especialização em Relações Internacionais pela FGV e mestrando em Mudança Social e Participação Política pela USP (EACH). É escritor, autor dos livros A Ascensão do Bolsonarismo no Brasil do Século XXI (Kotter), Tempestade Perfeita: o bolsonarismo e a sindemia covid-19 no Brasil (Contracorrente) e Sobre Perdas e Danos: negacionismo, lawfare e neofascismo no Brasil (Kotter).





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