É falso que “ninguém tinha a vacina [contra covid-19] para vender” em 2020, conforme afirmou o presidente Jair Bolsonaro na live semanal desta quinta-feira (21). Em março, mês em que começou a pandemia, não havia, mas imunizantes começaram a ser oferecidos ao país dois meses depois. A aplicação da primeira dose no Reino Unido ocorreu em 8 de dezembro daquele ano. Segundo o relatório final da CPI da Covid, o governo federal começou a receber ofertas de laboratórios em maio de 2020, e houve atraso na compra de imunizantes, o que inviabilizou o início da vacinação do país também em dezembro.

Durante a live, o presidente disse que foi questionado por uma idosa sobre a razão de não ter comprado imunizantes contra a doença assim que a pandemia começou. Bolsonaro relata o diálogo e diz que não adquiriu a vacina porque não havia doses disponíveis. O presidente ainda afirmou que o imunizante só começou a ser vendido em 2021.

“Conversando com uma senhora esses dias, eu sempre deixo a vontade para falar, porque ela tava chateada comigo. ‘Por que você não comprou a vacina logo que começou a aparecer o vírus?’. ‘A senhora queria essa vacina quando?’, ‘Quando começou o vírus’. O vírus começou a aparecer em 2020. Na verdade, começou a pegar para valer em março de 2020. Daí falei para ela: ‘Mas a primeira dose aplicada pelo mundo foi no Reino Unido em dezembro de 2020. Ninguém tinha a vacina para vender. E quando, no ano seguinte, começou a vender a vacina, não tinha’. Manda 100 milhões de doses pro Brasil, não tinha dose, era em conta-gotas e o Brasil fez a sua parte”, afirmou Bolsonaro.

Em depoimento à CPI da Covid, o CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, informou que o governo brasileiro ignorou três ofertas para aquisição de vacinas em agosto de 2020, e que as negociações haviam começado em maio.

Murillo estimou que, se um dos acordos tivesse sido fechado, o país teria recebido as primeiras remessas do imunizante já em dezembro de 2020, e somaria, até o segundo trimestre de 2021, cerca de 18,5 milhões de doses.

Em 19 de dezembro de 2020, o presidente criticou a pressa pela aprovação de uma vacina contra a doença e afirmou que a pandemia estava chegando ao fim —ainda que os números indicassem o contrário. “A pressa pela vacina não se justifica, porque você mexe com a vida das pessoas”, declarou Bolsonaro. Assista ao vídeo:

Três dias antes, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, questionou o que chamou de “angústia” e “ansiedade” pela compra de vacinas.

O que diz o relatório final da CPI

O relatório final da CPI indica que, no fim de maio de 2020, o governo federal anunciou parceria com a AstraZeneca e a Universidade de Oxford para produção de imunizantes contra a covid-19. Na mesma época, a Pfizer e o Instituto Butantan procuraram o Ministério da Saúde oferecendo imunizante, mas houve demora na resposta (leia a íntegra do relatório).

“Os depoimentos dos representantes da Pfizer e do Instituto Butantan deixam claro que a aquisição de imunizantes não foi uma prioridade do Ministério da Saúde, que postergou ao máximo a conclusão das negociações”, diz o documento.

O relatório ainda aponta que em 15 de julho, a OMS (Organização Mundial de Saúde) anunciou “o interesse de 150 países na Covax Facility, um mecanismo projetado para promover acesso rápido, justo e equitativo às vacinas contra a covid-19 em todo o mundo”. O governo federal aderiu no fim de setembro.

Em 16 de novembro, a OMS publicou orientações provisórias para que os governos elaborassem seus planos nacionais de vacinação. “Sobre o tema, em resposta à demanda do Supremo Tribunal Federal (STF), o Ministério da Saúde entrega o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a covid-19 em 12 de dezembro. O governo federal, porém, ainda não tinha vacinas a oferecer nem cronograma confiável de vacinação.”

Segundo o relatório, dezembro “seria o mês que o Brasil deveria ter iniciado a vacinação, caso houvesse fechado os contratos da Pfizer e CoronaVac”.

A vacinação no Brasil começou em 17 de janeiro de 2021, com a aplicação da vacina CoronaVac., logo após aprovação do uso emergência. Neste dia, o número de mortes por covid-19 no país chegou a 209.868.





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