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Ameaças de morte 

Márcio Moreira já estava ameaçado de morte, assim como estão outras lideranças da retomada. Ele estava coordenando a construção de uma casa de reza tradicional na área. Em um vídeo gravado dias atrás, Márcio afirma que a ocupação não é temporária, mas permanente, e pede doações para apoiadores para a construção de mais casas.

Em vídeo, Márcio Moreira (dir.) pede doações para a construção de casas de tijolo na retomada (Divulgação) 

“Existe uma ameaça de morte organizada, planejada, contra as lideranças do Gwapo’y Mi Tujury. Já denunciamos, mas continua”, afirma um integrante da Aty Guasu que pediu anonimato.

No último dia 4, o juiz Thales Braghini Leão, da 2ª Vara da Justiça Federal em Ponta Porã, negou a liminar de reintegração de posse da Fazenda Borda da Mata. “O fato de não existir demarcação sobre a área ou qualquer processo administrativo tendente a promovê-la não é suficiente para descaracterizar a luta pela posse das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios”, escreveu o juiz na decisão.

“Quando não conseguiram a ordem de reintegração de posse, os fazendeiros passam para essa segunda opção, que é assassinar lideranças para intimidar”, afirma o membro da Aty Guasu. “É a continuidade do massacre. O genocídio mesmo, que continua. Isso não para. E a segurança e a proteção, nós não temos”, afirma.

Em nota, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) afirma que existe o temor de que “os policiais façam ‘queima de arquivo’ com os indígenas que presenciaram o ataque”.

“A violência recorrente só mostra mais uma vez a atuação dos fazendeiros como bandidos milicianos, que tomam as terras indígenas, pagam pistoleiros para assassinar aqueles que resistem e contam com o estímulo e a conivência da Funai anti-indígena e do governo Bolsonaro”, denuncia a Apib.

Gabriela Moncau | Brasil de Fato
Edição: Nicolau Soares


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