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O disparo que matou a menina Heloysa Gabrielle, de 6 anos, baleada na tarde de 30 de março na comunidade de Salinas, em Porto de Galinhas (PE), partiu da arma de um policial militar, indica o inquérito concluído na última quinta-feira (28) pela Polícia Civil e encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco.

Segundo o conteúdo do documento, revelado pelo Gabinete de Apoio Jurídico às Organizações Populares (Gajop), que presta assessoria à família, o PM foi indiciado, e o suspeito perseguido pelos agentes na ação da polícia não efetuou disparos.

O Gajop, que informou ter tido acesso aos detalhes do caso, revelou em nota pública elaborada após consultar a família da menina morta, que há indícios de fraude processual, em investigação paralela conduzida pela corregedoria da Polícia Militar pernambucana.

“A conclusão da reprodução simulada tem como inquestionável que o disparo fatal foi praticado por integrantes da viatura. O inquérito policial enfatiza que ficou claro que a pessoa que estava sendo perseguida na ocasião pela polícia não efetuou disparos”, diz o órgão, em um dos trechos da nota divulgada em suas redes sociais.

Segundo a entidade, a Polícia Civil pediu pelo afastamento imediato do autor dos disparos da PM “e também que não tenha contato com as testemunhas”.

O UOL tentou contatar a Polícia Civil por e-mail e telefone, mas ainda não obteve retorno sobre o caso até o fechamento desta reportagem. Assim que houver um posicionamento, ele será incluído no texto. O Ministério Público também não se posicionou.

Relembre o caso

Heloísa foi atingida por um tiro no peito quando brincava na frente de casa da avó, na comunidade Salinas, em Porto de Galinhas. Testemunhas, incluindo o pai dela, afirmam que a menina foi atingida por um tiro disparado por um policial militar.

Moradores da comunidade relataram que os PMs entraram no local perseguindo um homem que estava numa moto e começaram a disparar na tentativa de fazer o suspeito parar. E que, nesse momento, a garota foi atingida.

A criança foi socorrida e levada para um hospital local, mas não resistiu aos ferimentos e morreu logo após dar entrada na unidade de saúde.

Em entrevista à imprensa local na época, o coronel Alexandre Tavares, diretor integrado especializado da Polícia Militar do Pernambuco, afirmou que o policiamento na localidade foi intensificado devido ao crescimento da “atividade criminosa” na região.

“Os militares que estavam na ocorrência só atiraram depois que tiros foram disparados contra eles. A viatura do Bope tem as marcas das balas. Só a perícia poderá dizer de onde partiu o disparo que atingiu a criança”, disse o coronel.

Durante os protestos, os moradores de Porto de Galinhas afirmaram que não houve troca de tiros. Eles alegam que os militares chegaram na comunidade e teriam atirado sem que tivessem sido alvo de disparos.

‘Queria minha menina de volta’

Os pais da menina Heloísa se manifestaram na época do crime. “Eu queria minha filha aqui de volta, minha menina. Só era ela que eu tinha. Eu quero justiça. Tenho fé em Deus que vai dar tudo certo”, disse Gleice Anne Rodrigues, mãe de Heloísa.

Já o pai da criança falou sobre a ação da PM. “Eu nunca imaginei que os policiais pudessem chegar atirando aqui, que é uma praça onde tem muita criança brincando. Não teve tiroteio aqui, a polícia chegou atirando e correndo atrás de um cara que estava numa. Um dos tiros tirou a vida da minha filha”, afirmou Wendel Fernandes.

Os protestos contra a ação da PM tiveram início logo depois da confirmação da morte de Heloísa. Familiares, vizinhos e amigos da família fizeram cartazes e tomaram as principais ruas de Porto de Galinhas pedindo justiça.





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