You are currently viewing Na Argentina, vice eleita da Colômbia defende legalização de drogas e agenda progressista


Mudança climática

Como segundo ponto, Francia destacou o desafio de enfrentar a mudança climática e fazer uma transição da economia extrativista à economia sustentável. Nesse sentido, desmentiu o que o setor da direita, durante a campanha presidencial, afirmou sobre a destruição da exploração de carvão e petróleo na Colômbia com uma possível eleição do Pacto Histórico, coalizão de Francia e Gustavo Petro.

“Não somos irresponsáveis. Sabemos que é uma questão de transição, e que é necessário um processo”, pontou Márquez. “Isso implica uma equação em termos industriais, de ciência, tecnologia e educação para estabelecer um caminho nessa direção. Mas temos a vontade política de começar a trilhar esse caminho, e com essa missão esperamos também a disposição de todos os governos da região. Nossa economia não pode obter os lucros da destruição em detrimento da Mãe Terra e de povos inteiros, como aconteceu na Colômbia.”

Nesse sentido, também mencionou os deslocamentos forçados em prol de projetos extrativistas, especificamente de mineração e energia. “Garantir os direitos humanos implica assumir uma economia para a vida. Esperamos poder, com todo os empresários envolvidos com o extrativismo, começar a era da economia descarbonizada.”

Antirracismo

“Não é possível falar de mudança climática e justiça ecológica se não falamos de racismo e patriarcado”, destacou Francia, entrando no terceiro ponto da agenda regional. Em um projeto antirracista e antipatriarcal, o novo governo colombiano terá como perspectiva as mulheres – 52% da população do país, como destacou Francia –, para trabalhar sobre a desigualdade econômica, na educação, na política e em outros âmbitos.

Para isso, o Ministério da Igualdade será criado na Colômbia para tratar de temas relacionados aos direitos de mulheres, jovens e povos étnicos. Além disso, afirmou que será criada uma Comissão Nacional de Reparação Histórica. “É um bom momento para discutir a reparação histórica para os povos afrodescendentes e indígenas nas Américas”, disse, seguida de fortes aplausos. “Já é suficiente dizer que há uma dívida histórica com esses povos. E, como dizia em campanha: e o pagamento é para quando?”

Apelou a que outros países da região abram espaço para esse mesmo objetivo, uma vez que “não há nenhum país na América Latina que não tenha tido escravidão”, e que, em consequência, “todos sofrem os efeitos da escravidão, até hoje”. “A reprodução do racismo e do patriarcado não parte só da direita e da ultradireita, mas também dentro dos nossos próprios movimentos.”

Reforma agrária

Ao finalizar seu discurso, Francia Márquez ainda levantou outra temática, ao falar sobre antirracismo: a reforma agrária. A vice-presidenta eleita destacou que o tema será fortemente trabalhado no governo do Pacto Histórico, entendendo que a população camponesa é assassinada e tem sido marginalizada nos governos de direita colombianos. Em uma perspectiva transversal, também destacou que pensar a distribuição de terras não implica pensá-la para os homens, mas pensar na “terra para as mulheres”.

“Chegou o momento de reconhecer o povo camponês como sujeitos de direitos. Hoje temos que trabalhar nisso, e contaremos com a ministra Cecilia López, nossa Ministra da Agricultura, para avançar com a reforma agrária”, disse Márquez, “Os líderes camponeses são assassinados, gente que lutou a vida toda pela distribuição das terras. Este será um grande desafio, mas é o permitirá a igualdade na região e na Colômbia”, pontou, e concluiu, gerando exclamações: “Esperamos que esse assunto também seja discutido em outros países, inclusive aqui na Argentina.”





Source link

Deixe um comentário