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Em 17 de fevereiro, o governo obteve a confiança do Senado com 262 votos favoráveis, 40 contrários e duas abstenções, e no dia seguinte na Câmara dos Deputados, com 535 votos a favor, 56 contrários e cinco abstenções.

Números que representam até hoje uma das maiores bases políticas já registradas na história da República.

Visto como um candidato natural para a sucessão de Mattarella, que teria o mandato encerrado no início deste ano, Draghi precisou recorrer a todo o seu repertório para desmentir com cortesia, mas firmeza, as vozes que o queriam por sete anos na chefia do Estado.

Muito ativo na cena internacional, o premiê também precisou lidar com os efeitos de uma guerra na fronteira da Europa e ainda – não fosse um dos pontos de atrito com parte de sua maioria – reivindica como necessário o envio de armas para a Ucrânia.

Mas, Draghi, que não economizou críticas contra Vladimir Putin, também será lembrado pela dura tomada de posição contra o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, definido como um “ditador que nós temos a necessidade de lidar” ao criticar a falta de cortesia do turco com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deixada sem cadeira em uma reunião oficial.

Porém, as batalhas mais duras, e que reapareceram durante todo o debate ocorrido nesta quarta-feira no Senado, foram com sua própria maioria. Sobretudo com o M5S, que desencadeou a crise, com confrontos sobre o envio de armas para a Ucrânia, o “superbônus” para famílias e empresas e a construção da usina de resíduos em Roma. E isso se mostrou uma fratura incurável para a base.

Próximos passos

A Constituição da Itália determina que as eleições legislativas devem ocorrer até 70 dias depois da dissolução do Parlamento, período que pode coincidir com o fim de setembro e o início de outubro, caso Mattarella encerre a legislatura ainda neste mês.

Neste caso, um novo governo tomaria posse, na melhor das hipóteses, entre o fim de outubro e o início de novembro, quando a Lei Orçamentária de 2023 já precisa estar protocolada no Parlamento. Desde que se tornou república, após a Segunda Guerra Mundial, a Itália nunca realizou eleições legislativas no segundo semestre.

Existe ainda a hipótese de nenhum campo político obter maioria clara, o que pode fazer as negociações se estenderem e deixar o país sem um governo com plenos poderes – em 2018, foram necessários três meses para empossar Giuseppe Conte como premiê.

Dessa forma, a Itália arriscaria iniciar o próximo ano sem um orçamento e ficaria enfraquecida no cenário internacional, hoje tomado pelos efeitos da invasão russa à Ucrânia, como a disparada dos preços dos combustíveis e da energia elétrica e a perspectiva de uma crise alimentar global.

Além disso, a crise política coloca em risco os repasses da UE para o PNRR, que prevê 222,1 bilhões de euros em investimentos até 2026 para impulsionar a economia, sendo 191,5 bilhões em fundos europeus.

O governo Draghi já cumpriu metas referentes a 45 iniciativas, etapa necessária para receber um repasse de 24 bilhões de euros da União Europeia. No entanto, o país terá de apresentar resultados em mais 55 projetos até o fim do ano para embolsar uma nova parcela. 

(*) Com Ansa. 





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