You are currently viewing Premiê húngaro tenta justificar declaração racista e xenófoba – 28/07/2022


O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, defendeu nesta quinta-feira (28) sua polêmica declaração feita no último final de semana quando criticou “a mistura de raças” na Europa, exaltando “uma raça húngara não misturada.” O líder ultranacionalista do Fidezs, que está em seu quinto mandato e no poder desde 2010, é um ferrenho defensor das políticas anti-imigração da União Europeia.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, defendeu nesta quinta-feira (28) sua polêmica declaração feita no último final de semana quando criticou “a mistura de raças” na Europa, exaltando “uma raça húngara não misturada.” O líder ultranacionalista do Fidezs, que está em seu quinto mandato e no poder desde 2010, é um ferrenho defensor das políticas anti-imigração da União Europeia.

Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, defendeu nesta quinta-feira (28) sua polêmica declaração feita no último final de semana quando criticou “a mistura de raças” na Europa, exaltando “uma raça húngara não misturada.” O líder ultranacionalista do Fidezs, que está em seu quinto mandato e no poder desde 2010, é um ferrenho defensor das políticas anti-imigração da União Europeia.

Em visita oficial à Viena, onde se encontrou com o chanceler austríaco, Karl Nehammer, para uma reunião bilateral sobre imigração e as consequências da guerra na Ucrânia, o premiê autocrata afirmou que sua declaração foi sobre uma questão cultural e não racial. “Acontece que às vezes sou ambíguo. Esta é uma posição civilizada, estamos orgulhosos do que a Hungria conseguiu na luta contra o racismo. Não é sobre racismo, mas sobre diferenças culturais”, justificou.

O encontro dos dois líderes da Europa Central em Viena foi marcado pela controvérsia de Orbán. O chanceler austríaco, Karl Nehammer, fez questão de deixar claro que não concorda com o colega húngaro. “Nós, na Áustria, rejeitamos, condenamos de maneira enérgica, qualquer forma de banalização ou relativização do racismo, ou mesmo do antissemitismo.”

Em resposta, Orbán disse estar orgulhoso da política húngara de “tolerância zero” com o preconceito, apesar do seu governo receber críticas há anos por agir na direção contrária. Contraditoriamente, durante a entrevista coletiva conjunta, Viktor Orbán afirmou: “sou o único político da União Europeia que defende uma política abertamente anti-imigração. Não quero que a Hungria se torne um país de imigrantes e não quero que a imigração se torne mais forte na Hungria.”

O mais problemático da UE

O premiê húngaro é considerado o dirigente mais problemático do bloco europeu. Nos últimos anos, Bruxelas tem feito duras críticas a Viktor Orbán pelos múltiplos ataques ao Estado de direito na Hungria promovidos pelo seu governo.

Esta semana, o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, escreveu na sua conta do Twitter: “Somos todos diferentes, nossas cores de pele são diferentes, nossos idiomas, culturas, crenças. E ainda assim, nós somos parte da mesma raça, a raça humana. Racismo é uma invenção política envenenada. Não há espaço para isso na Europa onde nossa força vem da diversidade.”

Discurso nazi de Orbán

Uma das principais conselheiras do primeiro-ministro húngaro se demitiu na quarta-feira (27) na sequência do discurso em que Viktor Orbán se manifestou a favor da “raça pura” e contra a mistura de europeus com não europeus.

Zsuzsa Hegedüs, que fazia parte do círculo mais próximo do premiê e amiga pessoal de Orbán há 20 anos, descreveu o discurso como “um texto puramente nazi.” “Não sei como não percebeu que o discurso que fez é uma diatribe puramente nazi digna de Joseph Goebbels”, o ministro da Propaganda de Adolph Hitler, escreveu a ex-conselheira em sua carta de demissão.

As declarações de Viktor Orbán, proferidas no sábado passado diante uma grande comunidade húngara na Romênia, também foram criticadas pelo Comitê Internacional de Auschwitz. O presidente da organização, Christoph Heubner, classificou o discurso como “estúpido e perigoso” e acrescentou fazer lembrar aos sobreviventes do Holocausto “os tempos sombrios da sua própria exclusão e perseguição.”





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